Hérnia: O que é, sintomas, causas e tratamentos

Uma causa comum de desconforto e dores abdominais são hérnias da parede abdominal. Muitas vezes as pessoas desconhecem este diagnostico

A hérnia da parede abdominal é uma condição relativamente comum e pode provocar desconforto, dor e limitações para realizar atividades do dia a dia. Muitas pessoas, porém, não reconhecem seus sinais e acabam atribuindo os sintomas a problemas digestivos ou outras condições, o que pode atrasar a avaliação e o tratamento adequado.

Estima-se que uma parcela significativa da população apresente algum tipo desse problema. Além dos impactos físicos, a condição também pode interferir na realização de atividades profissionais, exercícios físicos e outras tarefas cotidianas.

Por isso, conhecer os sintomas, as causas, os principais tipos e as possibilidades de tratamento é importante para buscar avaliação médica no momento adequado.

O que é hérnia?

A hérnia ocorre quando existe uma abertura ou área de fraqueza na parede abdominal que permite a passagem de estruturas que normalmente ficam dentro da cavidade abdominal, como gordura ou partes do intestino.

O defeito existente na parede abdominal é chamado de anel herniário. Seu tamanho pode variar, mas não existe necessariamente uma relação direta entre as dimensões do defeito e a intensidade dos sintomas.

O abaulamento ou a protusão que pode aparecer na região afetada é chamado de saco herniário. Ele pode ser responsável por parte importante do desconforto apresentado pelo paciente, principalmente quando possui grandes dimensões.

É importante destacar que um saco herniário grande não significa obrigatoriamente que o defeito da parede abdominal também seja grande.

Quais são os sintomas?

Os sintomas podem variar de acordo com a localização, o tamanho e as características do quadro. Algumas pessoas apresentam poucos ou nenhum sintoma, enquanto outras podem sentir desconforto significativo.

Entre os sinais mais comuns estão:

  • Abaulamento ou protuberância no abdome ou na virilha;
  • Dor ou desconforto na região afetada;
  • Sensação de pressão ou peso;
  • Dor durante esforços físicos;
  • Desconforto ao tossir ou realizar determinados movimentos;
  • Aumento do abaulamento durante esforço.

Quadros pequenos podem ser assintomáticos e identificados durante um exame médico de rotina.

O que causa esse problema?

A hérnia geralmente surge em regiões naturalmente mais frágeis da parede abdominal ou em locais onde foram realizadas incisões cirúrgicas anteriormente.

Algumas são congênitas, ou seja, estão relacionadas a características presentes desde o nascimento. Outras podem surgir ao longo da vida devido ao enfraquecimento da parede abdominal ou ao aumento da pressão dentro do abdome.

Entre os fatores que podem favorecer seu aparecimento estão:

  • Obesidade;
  • Gestação;
  • Envelhecimento;
  • Constipação intestinal e esforço frequente para evacuar;
  • Esforço para urinar, como pode ocorrer em algumas doenças da próstata;
  • Tosse crônica;
  • Esforço físico intenso;
  • Tabagismo;
  • Cirurgias abdominais anteriores.

A presença de um ou mais desses fatores não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá a condição, mas pode aumentar o risco.

Quais são os principais tipos?

Existem diferentes tipos de hérnia abdominal, classificados principalmente de acordo com a região em que aparecem.

Os tipos mais comuns incluem:

  • Hérnia umbilical;
  • Hérnia epigástrica;
  • Hérnia inguinal;
  • Hérnia incisional.

Cada apresentação possui características específicas e pode exigir uma avaliação individualizada.

Hérnia umbilical

Ocorre na região da cicatriz umbilical. É bastante frequente e, em muitos casos, apresenta pequenas dimensões e poucos ou nenhum sintoma.

Algumas alterações nessa região são congênitas, enquanto outras podem surgir durante a vida devido a fatores que aumentam a pressão abdominal ou enfraquecem a parede abdominal.

Hérnia epigástrica

Aparece na região central do abdome, entre a parte inferior do tórax e a cicatriz umbilical.

Apesar de geralmente apresentar dimensões menores, esse tipo pode causar dor e desconforto em algumas pessoas.

Hérnia inguinal

Ocorre na região da virilha, podendo surgir através do canal inguinal ou de outras áreas de fraqueza da parede abdominal.

É um dos tipos mais frequentes e pode provocar dor, sensação de peso ou abaulamento na região da virilha.

Em determinadas situações, pode sofrer encarceramento ou estrangulamento, condições que exigem atendimento médico imediato.

Hérnia incisional

Surge em uma região onde anteriormente foi realizada uma cirurgia.

Após uma intervenção cirúrgica, a parede abdominal pode apresentar uma área de maior fragilidade. Com o tempo, essa região pode permitir o desenvolvimento do problema.

O tamanho e as características podem variar, sendo necessária avaliação médica para determinar a melhor estratégia de tratamento.

Quando o problema pode ser uma emergência?

Embora muitos casos possam ser acompanhados e tratados de maneira programada, algumas situações podem representar uma emergência.

Uma das possíveis complicações é o encarceramento herniário, quando o conteúdo que passou para dentro do saco fica preso e não consegue retornar adequadamente à cavidade abdominal.

Em situações mais graves, pode ocorrer o estrangulamento, quando o fluxo sanguíneo para o tecido que está preso é comprometido. Isso pode provocar sofrimento e morte do tecido, além de complicações graves.

Quais sinais exigem atendimento de urgência?

Uma pessoa que apresenta esse quadro deve procurar atendimento médico de urgência caso tenha:

  • Dor abdominal ou na região afetada de início súbito e intensidade elevada;
  • Abaulamento que se torna doloroso e não retorna;
  • Náuseas ou vômitos;
  • Distensão abdominal;
  • Dificuldade para evacuar;
  • Dificuldade para eliminar gases;
  • Alteração importante no aspecto da região afetada.

Esses sinais podem indicar uma complicação e precisam ser avaliados rapidamente por um profissional de saúde.

Como é feito o diagnóstico?

Na maioria dos casos, o diagnóstico pode ser realizado durante uma consulta médica, por meio da avaliação dos sintomas e do exame físico.

Dependendo da localização e das características, o médico pode solicitar exames complementares para esclarecer o diagnóstico ou avaliar melhor a anatomia da região.

Entre os exames que podem ser utilizados estão:

  • Ultrassonografia da parede abdominal;
  • Ultrassonografia da região inguinal;
  • Tomografia computadorizada;
  • Ressonância magnética.

A tomografia, por exemplo, pode auxiliar na avaliação das dimensões e características do defeito e contribuir para o planejamento do tratamento cirúrgico quando necessário.

Como é feito o tratamento?

O tratamento definitivo da hérnia abdominal é geralmente cirúrgico. Não existe medicamento capaz de fechar o defeito existente na parede abdominal.

Analgésicos podem ser utilizados para aliviar sintomas quando indicados pelo médico, enquanto algumas medidas, como o uso de cintas, podem proporcionar conforto em situações específicas. Entretanto, essas medidas não corrigem o problema.

Quando não existe uma situação de emergência, o procedimento pode ser planejado de forma eletiva, permitindo que o paciente seja adequadamente preparado.

Como é a cirurgia?

As cirurgias para correção são chamadas de herniorrafia ou hernioplastia. A complexidade do procedimento depende de fatores como localização, tamanho, tipo do defeito e condições clínicas do paciente.

A cirurgia pode ser realizada pela técnica convencional ou por métodos minimamente invasivos, como a videolaparoscopia.

Em determinados casos, podem ser utilizadas telas cirúrgicas para reforçar a parede abdominal e reduzir o risco de recorrência. A necessidade e o tipo de material utilizado dependem da avaliação do cirurgião.

Quais são os cuidados antes da cirurgia?

O preparo adequado antes do procedimento é importante para reduzir riscos e favorecer uma recuperação mais segura.

Algumas condições podem aumentar o risco de complicações após a cirurgia. Por isso, doenças preexistentes devem ser avaliadas e controladas antes do procedimento sempre que possível.

Em pacientes com obesidade, por exemplo, o médico pode recomendar perda de peso antes da cirurgia. Pessoas fumantes também podem ser orientadas a interromper o tabagismo, já que o cigarro pode prejudicar a cicatrização e aumentar o risco de complicações.

O planejamento deve sempre ser individualizado.

Hérnia tem cura?

A condição pode ser corrigida por meio de cirurgia, quando existe indicação para o procedimento. A avaliação médica é fundamental para determinar o momento adequado para o tratamento e qual técnica pode ser mais apropriada.

Após a cirurgia, o acompanhamento médico e o respeito às orientações durante o período de recuperação são importantes para reduzir riscos e favorecer bons resultados.

Conclusão

A hérnia abdominal é uma condição frequente que pode provocar desde pequenos desconfortos até complicações que exigem atendimento de emergência.

Conhecer os sintomas e fatores de risco permite identificar a necessidade de avaliação médica e evitar que possíveis complicações sejam negligenciadas.

O tratamento depende do tipo, tamanho, localização e características do quadro, além das condições clínicas de cada paciente. Quando há indicação cirúrgica, o procedimento pode ser realizado por diferentes técnicas, incluindo métodos minimamente invasivos.

Ao perceber um abaulamento, dor ou desconforto persistente na região abdominal ou inguinal, procure avaliação de um profissional especializado. O diagnóstico adequado é o primeiro passo para definir o tratamento mais seguro e apropriado para cada caso.

Você também pode gostar

Embolia Pulmonar

Embolia Pulmonar: Conheça os Riscos e Saiba Como Evitá-la

A embolia pulmonar é uma condição grave que ocorre quando um coágulo sanguíneo bloqueia a circulação nos pulmões. O risco pode aumentar após cirurgias, períodos prolongados de imobilidade e em pessoas com determinados fatores de risco. Neste artigo, entenda como a embolia pulmonar acontece, quais são seus principais fatores de risco e as medidas que podem ajudar na prevenção.

FIQUE POR DENTRO!

Receba nossos artigos

Cadastre-se e receba nossas novidades diretamente em seu email, é grátis!